Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
A expectativa do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação no Brasil, foi ajustada de 4,86% para 4,89% neste ano. Essa atualização foi publicada no Boletim Focus desta segunda-feira (4), que apresenta semanalmente as projeções de instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos, conforme divulgado pelo Banco Central (BC).
A previsão do IPCA para 2023 foi elevada pela oitava semana consecutiva, influenciada pela guerra no Oriente Médio, que tem impactado os preços dos combustíveis e, consequentemente, a inflação. O Banco Central busca manter uma meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com um intervalo tolerável de 1,5 ponto percentual. Assim, os limites estabelecidos são de 1,5% a 4,5%.
No mês de março, a inflação oficial registrou uma alta de 0,88%, em comparação aos 0,7% verificados em fevereiro. O IPCA acumulado nos últimos 12 meses atingiu a marca de 4,14%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As projeções para a inflação em anos futuros permanecem estáveis: para 2027, a expectativa é de 4%, enquanto para 2028 e 2029 os números estimados são de 3,64% e 3,5%, respectivamente.
Taxa Selic
Para atingir sua meta inflacionária, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros, conhecida como Selic. Atualmente fixada em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic sofreu uma redução unânime de 0,25 ponto percentual na última reunião do colegiado na semana passada. Essa foi a segunda redução consecutiva apesar das tensões geradas pela guerra no Oriente Médio.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic chegou ao patamar histórico de 15% ao ano. A nova queda nas taxas ocorre em um contexto de diminuição da inflação; no entanto, o aumento nos preços dos combustíveis e alimentos devido ao conflito internacional complica as decisões do Copom.
Em comunicado oficial, o Copom não indicou direções claras sobre futuras alterações nas taxas de juros. O texto ressaltou que o colegiado está acompanhando o conflito e seus possíveis impactos sobre a inflação.
A próxima reunião do Copom para discutir a Selic ocorrerá nos dias 16 e 17 de junho.
No atual Focus, os analistas mantiveram suas projeções para a taxa básica até o final de 2026 em 13% ao ano. Para os anos seguintes, espera-se que a Selic caia para 11% em 2027 e para 10% em 2028. Em relação a 2029, projeta-se uma taxa também em torno dos 10% ao ano.
O aumento da Selic visa moderar uma demanda aquecida que pode pressionar os preços. Taxas elevadas encarecem o crédito e incentivam a poupança; por outro lado, podem dificultar o crescimento econômico.
Além disso, as instituições financeiras consideram outros fatores na definição das taxas cobradas dos consumidores, incluindo risco de inadimplência e custos operacionais.
Por outro lado, quando há uma redução na Taxa Selic, tende-se a observar um barateamento do crédito. Isso pode estimular tanto a produção quanto o consumo e facilitar um controle mais eficaz sobre a inflação.
PIB e câmbio
No mais recente boletim do Banco Central, as instituições financeiras mantiveram sua previsão para o crescimento da economia brasileira em 1,85% para este ano.
No que diz respeito à projeção do Produto Interno Bruto (PIB) para 2027, houve uma leve queda nas expectativas: passou de 1,8% para 1,75%. Para os anos subsequentes (2028 e 2029), espera-se um crescimento do PIB em ambos os casos na faixa dos 2%.
No exercício anterior (2025), segundo dados do IBGE, o Brasil apresentou um crescimento econômico significativo de 2,3%. Esse avanço abrangeu todos os setores da economia com destaque especial para a agropecuária e marcou o quinto ano consecutivo de crescimento.
A previsão atualizada sobre o câmbio indica que o dólar deve ser cotado a R$5,25 ao final deste ano. Para fins de comparação futura, estima-se que no final de 2027 essa moeda norte-americana alcance R$5,30.
