Celebração!

Na infância, as tardes de sexta eram marcadas por um lanche que não era exatamente saudável: Pingo d’ouro ou biscoito Bono. Um para mim e outro para minha irmã, dividíamos entre sorrisos e risadas. Para nós, não havia lanche melhor no mundo. Enchia a mão com salgadinhos e logo em seguida devorava um biscoito doce, uma verdadeira festa para os sentidos.

Sim, eu sei que eram cheios de gordura trans, açúcar e sódio. Hoje em dia, nem pensar! Mas o sabor daquela combinação de doces e salgados é algo que ainda me faz querer voltar no tempo. Com o passar dos anos e já adulta, nas noites longas de trabalho no início da carreira, substituí aquele combo infantil por uma pizza – meia 4 queijos e meia brigadeiro. Delícia na mesma medida.

Passando para a sexta-feira do dia do trabalho, decidi tirar uma folguinha como merecido descanso. Fui ao MASP. Não para me juntar aos diversos movimentos que invadiam a cidade (embora isso também seja importante – desculpem), mas sim para visitar o museu. Se tivesse feito um pouquinho de reflexão antes, talvez tivesse desistido da ideia porque é no vão do MASP que as pessoas se reúnem para defender direitos trabalhistas e o museu poderia estar fechado. Porém, ele estava aberto, mesmo com um trio elétrico na Paulista e ideias fervilhando ao nosso redor. Ideias contrárias aos direitos humanos, à democracia, à taxação das grandes fortunas e à preservação ambiental; ideias opostas a tudo que acredito. A única coisa com a qual concordei foram as falas do motorista de aplicativo que nos levou até lá; ele fez questão de deixar isso bem claro.

Com o barulho do trio elétrico quase em frente ao museu, imaginei que estaríamos cercados por muitos amigos do motorista. No entanto, até entrarmos no museu, o homem ao microfone falava apenas para um punhado de 17 pessoas bem animadas. Dentro do MASP, quatro exposições impressionantes: obras do artista indígena Santiago Yahuarcani do povo Uitoto da Amazônia peruana; trabalhos do Coletivo Acciones de Arte formado em Santiago entre 1979 e 1985; as 31 obras da La Chola Poblete incluindo 14 aquarelas da famosa série Vírgenes Cholas, exibida na Biennale di Venezia em 2024; e as obras maravilhosas de mais de cem mulheres tecedeiras do povo Wichí vivendo nas comunidades de La Puntana e Alto La Sierra na Argentina. Uma experiência tão rica quanto aqueles lanches da infância com Pingo D’ouro e biscoito Bono. Quem estiver por São Paulo deve visitar; quando saí já não havia mais gritos do trio elétrico. Uma boa semana a todos! E viva os trabalhadores!

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Roberta D’Albuquerque é psicanalista, autora de Quem manda aqui sou eu – Verdades inconfessáveis sobre a maternidade e criadora do portal A Verdade é Que…

27 de abril de 2026

A maior invenção da humanidade

Hoje completo 25 dias nessa nova fase da vida. Estou aqui para convidar você a fazer mudanças também! Pode parecer propaganda enganosa de coach, mas garanto que não é. O investimento? Veja bem: eu gastei apenas R$29,90 mais R$15 pela pilha. Não precisa me transferir nada via Pix; nem eu coloquei isso em prática ainda! Comprei tudo numa banca perto de casa e tenho certeza que você encontrará uma semelhante na sua vizinhança também. Agora se realmente sentir vontade de me enviar dinheiro via Pix… fique à vontade!

Apenas para esclarecer: não tive essa ideia brilhante sozinha; minha irmã comprou o dela no ano passado e vinha falando sobre suas maravilhas desde então. Só fui acreditar quando experimentei os benefícios pessoalmente! Lá vai a revelação: comprei um despertador simples desses bem baratinhos! Gente! É a melhor invenção já feita! Antes acordava com aquele som horrível do telefone; apertava soneca inúmeras vezes até chegar atrasada ao trabalho porque caía no Instagram sem querer ver os posts desnecessários enquanto forçava meus olhos cansados a ler legendas pequenas… Deus me livre!

E quanto ao final do dia? Deitava com o pescoço torto assistindo bobagens na TV até perder o sono! Agora não mais! Agora deixo meu celular na sala enquanto leio um livro por cinco minutinhos antes de dormir. Sinto sono rapidamente assim… as letras começam a dançar diante dos meus olhos e quando percebo já estou dormindo tranquilamente até que meu novo despertador toca às seis da manhã (ajustado pela minha filha Lola). O despertador antigo tocava sempre às quatro da manhã sem possibilidade de ajuste – já o meu agora toca às seis sem problemas porque não consigo enxergar os números pequenos.

Parece besteira? Pode ser… mas juro que estou me sentindo muito bem assim! Então fica a dica: vamos resistir à alienação coletiva das redes sociais? Que tal dormirmos direito? Todos nós merecemos isso! Tenham uma boa semana!

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20 de abril de 2026

O terrível sofrimento das bonitas

Certa vez levei minha filha mais velha a uma festa infantil onde conheci algumas mães novas devido à mudança recente dela para outra escola. Enquanto as crianças brincavam felizes lá fora, fiquei ali observando como fazem todo adulto acompanhante em festas desse tipo. Aceitei um suco enquanto segurava sapatinhos e meias recém-abandonadas atrás da mesa decorada com guloseimas deliciosas.

A conversa começou tímida mas logo evoluiu para algo mais íntimo até que uma das mães compartilhou sua história: “Foram anos difíceis pra mim; não dava pra confiar em ninguém durante toda minha juventude”. Fiquei intrigada com isso e perguntei qual era o problema dela.

“Vocês não podem entender – sempre fui considerada muito bonita”, disse ela repetidamente sem parar como se estivesse descrevendo uma tragédia pessoal insuperável que ainda hoje lhe afligia profundamente enquanto olhava nos olhos perplexos das outras mães.

A primeira coisa engraçada foi perceber como ela nos chamava diretamente (não considerando nossas aparências) como se fôssemos feias qualquer uma delas (inclusive eu). Ela continuou alegando que outras amigas consideradas “bonitas normais” também passavam por situações semelhantes mas nunca tanto quanto ela mesma tinha enfrentado.

Sorrindo internamente pra mim mesma pela cena surreal eu percebi que era normalidade total – essas mulheres eram apenas comuns como eu – nenhuma delas tinha características dignas dos padrões convencionais considerados “bonitos”. Afinal quem nunca esteve sem maquiagem ou acabado após um dia estressante? Nossos filhos poderiam nas melhores horas achar suas mães lindas nesta ocasião ou em momentos igualmente vulneráveis.

Lembrei dessa situação quando vi uma ex-Miss Brasil sendo rude com um atendente na padaria porque seu suco estava cheio de gominhos naturais da fruta fresca utilizada no preparo! Na hora pensei em perguntar se aquilo era inveja ou apenas falta educação mesmo? Como pode alguém tão bonito ser tão mal-educado? Boa semana pra todos vocês!

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