Uma Comissão Parlamentar de Inquérito revelou que o Museu do Louvre descuidou de seus sistemas de segurança durante vários anos. O relatório, divulgado nesta quarta-feira, 13, pelos parlamentares, destacou que as falhas na proteção do museu eram conhecidas antes do famoso roubo ocorrido em outubro de 2025, quando a coleção de joias da coroa foi levada em plena luz do dia.
Após a subtração dos tesouros do século XIX, com um valor estimado em mais de US$ 100 milhões (cerca de R$ 489 milhões), a Assembleia Nacional decidiu criar uma comissão para investigar a segurança nos museus franceses. Sob a liderança do parlamentar Alexis Corbière, o grupo constatou que a administração do Louvre já havia sido alertada sobre as condições insatisfatórias de segurança por meio de relatórios anteriores.
Corbière afirmou que a gestão do museu optou por priorizar objetivos de visibilidade e influência, relegando os problemas de segurança a um segundo plano. Essa abordagem é considerada preocupante, especialmente para um local que atrai cerca de nove milhões de visitantes anualmente. O Tribunal de Contas francês também havia apontado anteriormente essa negligência em relação à segurança e à manutenção, em favor de “operações visíveis e atrativas”.
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A comissão é composta por 100 membros, incluindo especialistas, ex-ministros e autoridades locais eleitas. Ela propôs diversas recomendações para aprimorar a situação, como o aumento do número de guardas, um orçamento maior destinado à segurança e reajustes salariais para os profissionais da área. Além disso, o relator enfatizou a necessidade de reformular o processo de seleção dos dirigentes da instituição, que atualmente são nomeados pelo presidente da República.
Corbière comentou: “Quando uma nomeação depende do Presidente da República, o indicado tende a se sentir na obrigação de agradar ao chefe e prefere ações mais chamativas ao invés de medidas sólidas e essenciais”. Para ele, seria ideal que os futuros líderes do Louvre fossem escolhidos com transparência pelo conselho administrativo.
Dentre outras sugestões apresentadas pela comissão estão o fortalecimento das relações com as autoridades fiscais e a criação de coordenadores responsáveis pela supervisão das questões relacionadas à segurança nos museus da França. Para viabilizar muitas das propostas sugeridas, o relatório recomenda aumentar os recursos destinados ao fundo de segurança instituído pelo Ministério da Cultura após o “roubo do século”, que atualmente possui um montante de 30 milhões de euros (R$ 171 milhões).
