Países do Golfo na ONU alertam para perigo iminente dos ataques do Irã

Os Estados do Golfo Pérsico disseram ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas nesta quarta-feira, 25, que enfrentam uma ameaça existencial devido aos ataques iranianos à sua infraestrutura em meio à guerra no Oriente Médio. Os países do Conselho de Cooperação do Golfo, junto com a Jordânia, pediram à ONU que condene os ataques realizados pelo Irã na região e exija a interrupção imediata das ações militares, além do pagamento de reparações às vítimas.

“Estamos vendo uma ameaça existencial à segurança internacional e regional. Essa abordagem agressiva está minando a lei e a soberania internacionais”, disse o embaixador do Kuwait, Naser Abdullah H. M. Alhayen, ao conselho com sede em Genebra.

O embaixador dos Emirados Árabes Unidos, Jamal Jama al Musharakh, também denunciou a “tentativa do Irã de desestabilizar a ordem internacional através de aventuras imprudentes de expansionismo”.

Em resposta aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, que deram início à guerra, Teerã lançou mísseis e drones contra Israel e os países do Golfo, atingindo instalações de energia e embaixadas dos Estados Unidos. A nação persa também interrompeu o trânsito pelo Estreito de Ormuz, por onde, antes da guerra, passava 20% do petróleo mundial.

Pelo menos 40 “infraestruturas energéticas na região estão gravemente ou muito gravemente danificadas ao longo de nove países” do Oriente Médio, afirmou o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol.

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Luta contra o ‘inimigo’

Na segunda-feira, Israel lançou uma nova onda de ataques contra o Irã, que ameaçou adotar medidas de retaliação contra infraestruturas de energia no Oriente Médio. A imprensa iraniana relatou explosões em Teerã depois que Israel anunciou uma “onda de ataques” contra a capital iraniana, enquanto Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos também interceptaram mísseis e drones.

O Irã, por sua vez, defendeu os ataques, alegando que mais de 1.500 civis foram mortos por ações militares dos EUA e Israel contra o país até o momento.

“Nós lutamos em nome de todos vocês contra um inimigo que, se não for contido hoje, estará além da contenção amanhã”, disse o embaixador do Irã na ONU, Ali Bahreini, referindo-se a Israel.

A ONG Serviço Internacional de Direitos Humanos também alertou contra a “indignação seletiva”, pedindo um foco nas violações vindas de todos os lados do conflito.