Funcionários russos são evacuados de usina nuclear no Irã, após suposto ataque dos EUA

Cerca de 163 funcionários da corporação nuclear estatal russa Rosatom foram evacuados nesta quarta-feira, 25, da usina nuclear de Bushehr, no Irã. A informação foi divulgada pela agência de notícias estatal RIA. A decisão de retirar os trabalhadores, às pressas, ocorre um ataque ao complexo na noite anterior. Segundo a Organização de Energia Atômica do Irã, um míssil caiu na parte de dentro da usina, mas não causou danos. O órgão disse que os Estados Unidos e Israel estão por trás do ataque.

“Hoje, por volta das 7h20, horário de Moscou, 163 pessoas saíram de Bushehr em direção à fronteira Irã-Armênia”, disse o CEO da Rosatom, Alexey Likhachev. “Neste momento, restam cerca de 300… Algumas pessoas ficarão. Acho que serão algumas dezenas de pessoas que supervisionarão os equipamentos.”

A central, localizada no sudoeste iraniano, está conectada à rede elétrica nacional em 2011. Trata-se da única usina nuclear em operação no país – as instalações de Fordow e Natanz, por exemplo, são voltadas para o enriquecimento de urânio, não produção de energia. Antes da decisão desta quarta, a Rosatom já havia evacuado 150 pessoas devido à guerra no Oriente Médio, desencadeada por ataques conjuntos dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. O conflito também paralisou a construção de dois novos reatores em Bushehr.

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Alerta da ONU

Ainda nesta quarta, o chefe de direitos humanos das Nações Unidas, Volker Türk, que ataques próximos a infraestruturas nucleares do Irã e de Israel podem causar uma “catástrofe sem precedentes”. Nos últimos dias, foram registrados ataques com mísseis iranianos contra as cidades de Dimona e Arad, a quilômetros do centro de pesquisa nuclear de Israel, no deserto do Negev. No sábado 21, o principal complexo de enriquecimento nuclear de Teerã, em Natanz, foi atingido pelos Estados Unidos, segundo o governo iraniano. Israel negou participação.

“Muitos dos ataques neste conflito suscitaram sérias preocupações e infringiram o direito internacional, que proíbe ataques contra civis e suas infraestruturas, bem como ataques contra alvos militares quando os danos aos civis forem desproporcionais”, alertou Türk. “Preciso também ressaltar as graves ramificações deste conflito para vários outros países da região, incluindo o Iraque e a Síria, bem como o território palestino ocupado.”

“Os recentes ataques com mísseis perto de instalações nucleares em Israel e no Irã ressaltam o imenso perigo de uma escalada ainda maior. Os Estados estão flertando com uma catástrofe sem precedentes”, acrescentou ele.