Ex-governador de Mato Grosso aponta Master como líder de esquema de fraudes em empréstimos consignados

Ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques foi convocado para depor na CPI/ Foto: Pedro França/Agência Senado

O ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques prestou depoimento na CPI do Crime Organizado e acusou o Banco Master de liderar esquemas de fraudes em crédito consignado no estado, além de transferir valores de devolução de impostos para políticos locais. Durante o depoimento, senadores questionaram as declarações de Taques.

Segundo Taques, o Banco Master coordenava uma rede de instituições financeiras que enganavam servidores públicos, dificultavam o acesso a informações e atuavam sem autorização do Banco Central. Ele também relatou que, a partir de novembro de 2024, investigou o banco como advogado de sindicatos de servidores, identificando que cerca de 45 mil servidores do estado possuem consignados em empresas relacionadas ao Master.

O ex-governador mencionou que diversas instituições vendiam ao Banco Master o direito de receber devoluções de empréstimos, sendo que posteriormente o Master revendia esses direitos ao Banco de Brasília por valores supostamente inflados. Taques destacou que uma única instituição cobrou quase R$ 150 milhões dos servidores em um período de nove meses.

O senador Alessandro Vieira, relator da CPI, acredita que o esquema do Banco Master envolve corrupção no setor público, apontando que o crédito consignado depende de acordo com o estado para autorizar os descontos das parcelas diretamente na remuneração dos servidores.

Outros estados

Taques também levantou questionamentos sobre a atuação do Banco Master em outros estados, mencionando que alguns permitiram o aumento da margem de comprometimento de salários para empréstimos consignados. Ele citou Bahia, Roraima, Alagoas, Minas Gerais, Acre, Espírito Santo e Sergipe como exemplos, ressaltando semelhanças nos decretos estaduais publicados.

O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato, questionou se a edição desses decretos ocorreu de forma coordenada entre os governos estaduais.

Lavagem de dinheiro

Além das fraudes em crédito consignado, Taques acusou o Banco Master de realizar transferências de R$ 308 milhões provenientes de devolução de impostos para empresas associadas ao governador de Mato Grosso, Mauro Mendes. Ele apontou que o dinheiro passou por fundos de investimento controlados pelo Banco Master, chegando a beneficiar familiares e aliados de Mendes.

O ex-governador classificou esses fundos de investimento como locais propícios para lavagem de dinheiro, criticando a atuação da Comissão de Valores Mobiliários na fiscalização desses mecanismos.

Contexto político

O senador Alessandro destacou que existe um contexto político entre Pedro Taques e Mauro Mendes, que são pré-candidatos ao Senado. Taques foi senador e atuava no combate ao crime organizado antes de se tornar governador, perdendo posteriormente uma eleição para Mendes.

Outros senadores questionaram os métodos de investigação de Taques e a relação entre os governos estaduais e as supostas fraudes cometidas pelo Banco Master.

Ausência

Martha Graeff, ex-namorada de Daniel Vorcaro, foi convocada para depor na CPI, mas não compareceu à reunião. O presidente da comissão afirmou que, se não houver resposta por parte dela, poderá ser alvo de condução coercitiva. Há indicações de que ela possa estar nos Estados Unidos.

Fonte: Agência Senado