Líderes globais reagem ao acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã

Irã e Estados Unidos chegaram a um acordo de cessar-fogo por duas semanas nesta terça-feira, 7, pouco antes do prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump, que exigia a “destruição” da nação persa. O comunicado sobre a trégua suscitou reações variadas entre líderes globais, que ressaltaram a natureza temporária dessa pausa nas hostilidades.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador no acordo, afirmou que Teerã, Washington e seus aliados “firmaram um cessar-fogo imediato em todas as frentes, incluindo o Líbano e outras áreas”. Contudo, essa informação foi contestada pelo gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que destacou que o acordo não abrange o território libanês.

Líderes europeus expressam opiniões

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, comentou que a trégua “proporciona um alívio tanto para a região quanto para o mundo”, mas enfatizou a necessidade de transformá-la em um “acordo duradouro” que assegure a reabertura do Estreito de Ormuz, vital para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial.

Emmanuel Macron, presidente da França, descreveu o cessar-fogo no Oriente Médio como “algo muito positivo”, embora tenha ressaltado que espera que a pausa nos ataques “seja integralmente respeitada em toda a região e permita negociações para resolver as questões nucleares, balísticas e regionais relacionadas ao Irã”. O líder francês também manifestou o desejo de que o cessar-fogo inclua plenamente o Líbano.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, expressou em uma postagem no X que a trégua “oferece uma oportunidade crucial para diminuir as ameaças, interromper os ataques com mísseis, restabelecer o comércio marítimo e abrir caminho para um diálogo visando um acordo duradouro”.

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O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, adotou uma postura mais crítica em relação à trégua. Ele afirmou: “Um cessar-fogo é sempre uma boa notícia. Especialmente se levar a uma paz justa e duradoura. No entanto, esse alívio temporário não deve nos fazer esquecer o caos, a destruição e as vidas perdidas.” O premiê acrescentou ainda: “O governo da Espanha não reconhecerá aqueles que fomentaram incêndios no mundo apenas porque aparecem com baldes.”

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, também se manifestou contra os novos ataques ao Líbano, considerando inaceitável a ofensiva israelense.

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Reações no Oriente Médio ao cessar-fogo

O Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita expressou apoio ao cessar-fogo em uma mensagem postada no X (ex-Twitter), esperançoso de que este acordo represente uma “oportunidade para alcançar uma desescalada abrangente e duradoura”.

Da mesma forma, o Catar caracterizou o acordo como “um primeiro passo rumo à desescalada”, instando o Irã a “cessar imediatamente todas as ações hostis”.

O governo de Omã elogiou os esforços do Paquistão na mediação e reforçou a importância de buscar “soluções que eliminem as raízes da crise e resultem em um cessar-fogo permanente nas hostilidades na região”.

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As autoridades do Iraque manifestaram seu acolhimento ao acordo entre os Estados Unidos e Irã e solicitaram um “diálogo sério e sustentável” entre os dois países, conforme declarado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Cenário volátil mesmo com trégua anunciada

Ainda que tenha sido anunciado o cessar-fogo, o clima no Oriente Médio continua tenso. Na quarta-feira passada, forças israelenses realizaram novos ataques no sul do Líbano afirmando que suas operações militares contra a milícia pró-Irã Hezbollah prosseguirão apesar da trégua.

Pela manhã desse mesmo dia, um porta-voz militar israelense alertou os residentes do sul de Beirute e da cidade de Tiro para deixarem imediatamente suas casas em direção a locais considerados mais seguros. Após esse aviso, um ataque aéreo em Sidon resultou em oito mortos e 22 feridos, segundo informações do Ministério da Saúde local.

Diante das incertezas relacionadas ao cessar-fogo, o Irã declarou sua falta de confiança nas promessas dos Estados Unidos e afirmou estar “com o dedo no gatilho”. Nesta quarta-feira pela manhã, forças iranianas realizaram ataques contra Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos como retaliação aos bombardeios sofridos por uma refinaria iraniana apesar do estado de trégua. Além disso, o regime iraniano anunciou novamente o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou romper com o cessar-fogo caso Israel não cesse os disparos contra o Líbano.

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