Atendimento remoto para vítimas de violência contra a mulher é implementado pelo SUS

Por Joana Silva

O Ministério da Saúde (MS) lançou a partir da última quinta-feira (05/Mar) a disponibilização de teleatendimento em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS) voltado para mulheres expostas à violência ou em situação de vulnerabilidade psicossocial. Inicialmente, o serviço será implantado nas cidades do Recife e do Rio de Janeiro, com planos de expansão para todo o território nacional até o mês de junho. O acesso poderá ser realizado através de encaminhamento de unidades de saúde ou diretamente pelo aplicativo Meu SUS Digital. A previsão é que a iniciativa chegue em cidades com mais de 150 mil habitantes no mês de maio. A cobertura nacional completa está programada para ser finalizada em junho, quando o serviço estará disponível para o restante do país.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, a meta é alcançar a marca de 4,7 milhões de teleatendimentos psicológicos por ano. Essa iniciativa ocorre por meio de uma parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

Procedimentos para acesso ao atendimento

Para ter acesso ao serviço, as mulheres poderão receber orientação e encaminhamento por unidades da atenção primária à saúde, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS), e por outros serviços integrantes da rede de proteção.

Também será viável buscar atendimento diretamente pelo aplicativo Meu SUS Digital. A plataforma contará com um miniaplicativo, que está previsto para começar a funcionar no final do mês, onde a mulher poderá se cadastrar para uma avaliação inicial da situação de violência. Com base nessas informações, o aplicativo enviará uma mensagem com o dia e horário do teleatendimento.

Segundo a pasta da Saúde, a primeira consulta terá como foco identificar riscos, a rede de apoio da paciente e suas necessidades. O processo incluirá também a articulação com serviços de referência, se necessário.

Modelo de prestação de serviço

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que a estrutura do novo serviço seguirá um modelo já utilizado em outras áreas de telessaúde do governo. “Esta semana introduzimos o teleatendimento como suporte para pessoas com compulsão por jogos eletrônicos. E vamos estruturar o mesmo modelo, com ajustes específicos na relação com a atenção primária em saúde e na coordenação com estados e municípios”, disse Alexandre Padilha.

“Oferecer esse teleatendimento com psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e, em determinadas situações, terapeutas ocupacionais para mulheres – não apenas as que foram vítimas de violência, mas também aquelas que demonstram sinais ou estão em situação de extrema vulnerabilidade”, acrescentou.