J.D. Vance provoca controvérsia ao alertar o papa sobre suas declarações teológicas

Nesta terça-feira, 14, o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, fez uma declaração em que aconselha o papa Leão XIV a ser “cauteloso ao abordar questões teológicas”, no contexto da crescente tensão entre o pontífice e o presidente Donald Trump.

O comentário de Vance ocorreu durante um evento promovido pela organização conservadora Turning Point USA na Universidade da Geórgia, localizada em Athens. Ele respondeu a uma fala recente do papa, que declarou que “nenhum seguidor de Cristo, o Príncipe da Paz, pode apoiar aqueles que antes usavam a espada e agora lançam bombas”.

Vance, que adotou a fé católica em 2019, mencionou ainda sua “frustração” ao observar algumas críticas vindas de membros do clero em relação às políticas norte-americanas, mas enfatizou seu respeito e apreço pelo papa.

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“Aprecio até mesmo as discordâncias. Valorizo quando o papa se pronuncia sobre imigração, aborto e questões de guerra e paz; isso, no mínimo, gera um diálogo”, afirmou. Contudo, ressaltou: “Certamente há declarações feitas pelo papa nos últimos meses com as quais não concordo.”

Durante sua fala, um participante da plateia interrompeu gritando: “Jesus Cristo não apoia o genocídio”.

Conflito entre Leão XIV e Trump

A manifestação do vice-presidente surge em meio a um acirrado conflito nas redes sociais entre Trump e o líder da Igreja Católica. A disputa ganhou força após uma postagem chocante do presidente americano no domingo de Páscoa, onde ameaçou provocar grande destruição no Irã caso seus líderes não permitissem a passagem pelo Estreito de Ormuz.

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A postura agressiva gerou uma onda de críticas, incluindo uma mensagem do primeiro papa americano: “Deus não abençoa nenhum tipo de conflito”, publicou o pontífice na plataforma X (anteriormente conhecida como Twitter).

O presidente Trump respondeu afirmando que “Leão deveria expressar gratidão” por ser uma escolha inesperada para o papado. “Ele não estava na lista para ser Papa; foi escolhido pela Igreja por ser americano e pensaram que isso ajudaria na relação com Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”, completou.

Imperturbável diante das críticas, Leão reafirmou sua intenção de continuar denunciando a guerra. “Não me furtarei em anunciar a mensagem do Evangelho e convidar todos a buscarem formas de construir pontes para a paz e reconciliação”, declarou. A mensagem evangelica é clara: Bem-aventurados os pacificadores.

No meio dessa troca de provocações, Trump decidiu excluir uma publicação feita em sua rede Truth Social onde apresentava uma imagem gerada por inteligência artificial dele mesmo representando Jesus Cristo. Na imagem polêmica divulgada no domingo, ele é visto emanando luz divina enquanto cura um homem em um leito hospitalar.

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A breve duração da postagem gerou indignação entre importantes apoiadores cristãos. Riley Gaines, comentarista conservadora e apresentadora da Fox News, expressou sua perplexidade: “Eu realmente não consigo entender por que ele faria isso”.

Na terça-feira seguinte, Trump insistiu que o papa “não compreende” as ameaças nucleares do Irã e sugeriu que ele não deveria opinar sobre os conflitos no Oriente Médio.

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