Um grupo de especialistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) sugeriu a liberação de mais uma parcela de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 4,99 bilhões, considerando a cotação atual) para a Argentina. Essa recomendação vem após um reconhecimento positivo da situação das finanças públicas do país.
A nova liberação faz parte do Acordo de Facilidades Estendidas (EFF, na sigla em inglês), que foi aprovado há um ano e totaliza US$ 20 bilhões (R$ 99,8 bilhões). Agora, essa proposta deverá ser aprovada pelo conselho do Fundo.
Os especialistas ressaltaram que “o impulso nas políticas econômicas se fortaleceu nos últimos meses com a aprovação do Orçamento de 2026 e de uma legislação importante para as reformas”.
O documento também mencionou que os avanços na estabilidade financeira são “impressionantes”, permitindo assim o desenvolvimento de um novo “pacote de políticas robusto e equilibrado que visa consolidar a desinflação, a estabilidade externa e o crescimento”.
Austeridade sob Milei
O governo ultraliberal liderado por Javier Milei implementou um rigoroso ajuste fiscal, alvo de críticas tanto da oposição quanto das centrais sindicais. Essa estratégia foi capaz de reduzir a hiperinflação, um dos principais desafios econômicos enfrentados pela Argentina nos últimos anos.
No ano passado, a Argentina conseguiu registrar um superávit em suas contas públicas. Com uma maioria conquistada nas recentes eleições legislativas, o país tem avançado em reformas trabalhistas, apesar das manifestações nas ruas.
O FMI prevê que as reservas internacionais líquidas devem crescer em pelo menos US$ 8 bilhões (R$ 39,9 bilhões) até 2026.
A Argentina também fez seu retorno aos mercados internacionais de dívida no mês de dezembro, emitindo títulos em moeda estrangeira após mais de sete anos fora desse cenário.
O país já enfrentou várias crises de default ao longo da história recente, incluindo duas ocorrências neste século: uma em 2001 durante uma grave crise social que resultou na morte de 39 pessoas e outra em 2020 no contexto da pandemia.
A relação da Argentina com o FMI tem sido marcada por dificuldades ao longo das últimas duas décadas, caracterizadas por extensas negociações para resolver questões relacionadas à inadimplência.
