Irã encerra acesso ao Estreito de Ormuz e ameaça suspender cessar-fogo em resposta a ataques israelenses no Líbano

Na quarta-feira, 8, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, expressou sua preocupação em relação às “infringências no cessar-fogo” por parte de Israel. Essa declaração foi feita durante uma conversa telefônica com o marechal Asim Munir, comandante das Forças Armadas do Paquistão, que atuou como mediador da frágil trégua entre os Estados Unidos e o Irã, conforme informado pelo ministério iraniano.

Durante a ligação, Araghchi abordou as “transgressões do cessar-fogo cometidas pelo regime sionista no Irã e no Líbano”, referindo-se a Israel. O comunicado também destacou que o Irã poderia considerar romper o acordo de cessar-fogo se os bombardeios israelenses ao Líbano persistissem.

Ainda segundo relatos de agências iranianas, ficou claro que Teerã não hesitará em interromper o cessar-fogo com os Estados Unidos e Israel caso a ofensiva israelense contra o Líbano continue inabalável.

+ Apesar da trégua, Israel afirma que suas operações militares no Líbano prosseguirão

“Os Estados Unidos aceitaram a suspensão das hostilidades em todas as frentes, incluindo a resistência islâmica valorosa no Líbano, como parte do plano de cessar-fogo de duas semanas. No entanto, desde esta manhã, o regime sionista tem realizado ataques brutais contra o Líbano, infringindo claramente o acordo”, afirmou uma fonte à agência Fars.

Nos últimos 24 horas, surgiram declarações confusas entre as partes envolvidas sobre a inclusão do Líbano no cessar-fogo recentemente anunciado. Enquanto o Paquistão assegurava que o país estava coberto pelo acordo mediado por eles, Israel intensificou sua ofensiva e iniciou ordens de evacuação em massa.

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Teerã respondeu às alegações de “violações por parte de Israel ao cessar-fogo” anunciando o fechamento do Estreito de Ormuz para navegação comercial. De acordo com informações da agência Fars, diversos navios no Golfo Pérsico foram notificados pela Marinha iraniana sobre a proibição de passagem.

As mensagens enviadas aos navios advertiam que qualquer embarcação que tentasse cruzar sem autorização seria almejada e destruída.

“Qualquer navio que tentar navegar para fora… será atingido e destruído…”, informava uma das mensagens.

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<pAntes do fechamento recente, dois navios conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz, segundo dados do serviço MarineTraffic.

Atividades Militares no Líbano

No sul do Líbano, Israel intensificou suas operações nesta quarta-feira (8), reafirmando que suas ações contra a milícia Hezbollah continuarão mesmo após o anúncio do cessar-fogo feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Ao celebrar a trégua de duas semanas na terça-feira passada, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif informou que Teerã, Washington e seus aliados “concordaram com um cessar-fogo imediato em todas as frentes”, incluindo o Líbano. Contudo, essa informação foi contestada pelo gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que deixou claro que tal acordo não se estende ao território libanês.

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<pUm porta-voz militar israelense declarou na manhã desta quarta-feira que as forças armadas "continuarão suas operações" contra Hezbollah e emitiram novos avisos para que os habitantes do sul de Beirute e da cidade de Tiro evacuem imediatamente suas residências. Após essa advertência, houve um ataque aéreo em Sidon que resultou na morte de oito pessoas e feriu 22 outras, conforme informações do Ministério da Saúde local.

Até agora, o Hezbollah não reivindicou novos ataques contra Israel desde que foi anunciada a pausa nas hostilidades entre Estados Unidos e Irã.

A guerra que abala o Oriente Médio há mais de cinco semanas também arrastou o Líbano para seus conflitos. Isso se intensificou após um ataque do Hezbollah contra Israel em 2 de março como resposta à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei.

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<pNa semana anterior, Israel Katz, ministro da Defesa israelense, declarou que sua força militar tomará conta do sul do Líbano assim que encerrada a guerra contra Hezbollah. Ele afirmou ainda que centenas de milhares de libaneses deslocados não poderão retornar para suas casas até que haja segurança garantida em regiões ao norte de Israel. Segundo Katz: “todas as residências próximas à fronteira no Líbano serão demolidas seguindo um modelo similar ao usado em Rafah e Beit Hanoun em Gaza.” As ordens já emitidas para retirada pela força israelense abrangem cerca de 15% da população libanesa.

Pelo menos 1.530 pessoas perderam a vida no Líbano desde o início do conflito atual, incluindo 130 crianças; além disso, milhares estão feridos e mais de um milhão foram forçados a abandonar seus lares devido aos bombardeios incessantes.

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