Trump se vê diante de desafios que antes apontou como falhas no pacto nuclear de Obama com o Irã

Depois de uma década criticando intensamente o acordo nuclear assinado em 2015 pelo ex-presidente dos EUA Barack Obama, Donald Trump agora está aberto a considerar concessões que poderiam levar ao fim do conflito que ele mesmo iniciou com os ataques realizados em 28 de fevereiro no território do Irã.

Uma das concessões em discussão envolve a liberação de aproximadamente 20 bilhões de dólares em ativos iranianos que estão congelados em instituições financeiras ao redor do mundo. Por outro lado, Teerã se opõe a suspender seu programa de enriquecimento de urânio, que é um dos principais pontos de crítica dos republicanos ao Plano de Ação Conjunta Global (JCPOA), o acordo estabelecido em 2015.

Cálculos frequentemente mencionados por autoridades dos EUA indicam que o Irã ainda detém mais de 400 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza, uma concentração considerada próxima da necessária para a criação de armamentos nucleares.

No entanto, Trump reafirma que o novo acordo não repetirá as falhas que ele apontou no pacto anterior. Em sua mensagem na Truth Social nesta segunda-feira, 20, o presidente afirmou que o pacto firmado por Obama “era um caminho certo para a proliferação nuclear, algo que não ocorrerá com o novo acordo em negociação”.

Ele acrescentou: “O ACORDO que estamos elaborando com o Irã será MUITO MELHOR”. “Se um acordo for alcançado sob ‘TRUMP’, ele garantirá Paz e Segurança não apenas para Israel e o Oriente Médio, mas também para a Europa, América e outras regiões. Será algo do qual o mundo inteiro se orgulhará.”

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Além das questões nucleares, Trump também deseja incluir no possível acordo tópicos como o programa de mísseis do Irã e seu apoio a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah — assuntos que ficaram fora da pauta do pacto anterior. Contudo, especialistas alertam que expandir as negociações pode tornar os entendimentos ainda mais difíceis.

Incertezas

Nesta terça-feira, Trump anunciou a prorrogação de um cessar-fogo com o Irã, poucas horas antes do término do prazo estipulado, permitindo que uma proposta seja apresentada por Teerã. Em contrapartida, ele ordenou às forças americanas que mantenham o bloqueio marítimo atual sobre o Estreito de Ormuz.

A divulgação ocorre em meio a incertezas relacionadas às negociações. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, seu exército ideológico, informou nesta quarta-feira, 22, que interceptou dois navios tentando atravessar o Estreito de Ormuz, conduzindo ambos para águas territoriais iranianas.

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“A força naval do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica identificou e deteve dois navios infratores no Estreito de Ormuz”, declarou o exército ideológico em comunicado. “Os dois navios foram apreendidos e levados para a costa iraniana”, completou a nota.

Simultaneamente às ações da Guarda Revolucionária, a República Islâmica ainda não confirmou oficialmente a prorrogação do cessar-fogo.

Diante do início da guerra no Oriente Médio provocada pelos ataques realizados por Israel e Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro, houve uma rodada de negociações em Islamabad. Entretanto, essa tentativa resultou sem avanços significativos. O Paquistão, atuando como mediador, está tentando organizar um novo ciclo de diálogos para pôr fim ao conflito que já causou milhares de mortes civis, principalmente no Irã e no Líbano, além de impactar negativamente a economia global.

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